PICOS IMPERDÍVEISSÃO LUÍS

São João do Maranhão

Quando chega o mês de junho as praças e ruas ganham vida celebrando o São João. No Maranhão o período junino acontece de forma diferente das tradicionais festas vistas pelo Brasil. Aqui além dos grandes shows nós temos uma variedade de manifestações culturais, culinária típica que agrada os mais diversos paladares e intensa valorização do artesanato. No São João maranhense o protagonismo é do povo, que faz tudo isso acontecer. Em São Luís os arraiais são feitos em vários pontos da cidade durante todo o mês de junho, sendo em grande maioria gratuitos, promovidos pelo Governo do Estado e Prefeitura.

A origem das festas juninas se da no período colonial, quando os portugueses introduziram as celebrações
a Santo Antônio, São João e São Pedro, tendo ligação também na agricultura com o fim do período chuvoso, iniciando a colheita. No Maranhão essas festas foram ressignificadas pelas populações negras e indígenas resultando em manifestações extremamente ricas.

A culinária junina do Maranhão é marcada pela diversidade. Além dos pratos à base de milho como bolo,
pamonha, canjica, mingau de milho/mungunzá/chá de burro, são comuns pratos como vatapá, tortas de caranguejo e camarão, sururu, arroz de cuxá, arroz Maria Isabel e paçoca de carne de sol.

Em São Luís do dia 28 para 29 de junho tem o Festejo de São Pedro realizado na Capela de São Pedro no bairro da Madredeus. E em sequência tem a procissão maritima. Aqui também é celebrado um quarto santo, São Marçal. E sua festa é no dia 30 de junho no bairro João Paulo.

Quando se fala em São João do Maranhão já pensamos no Bumba-meu-boi, que foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2019. O ciclo da festa envolve os ensaios, o batismo, as apresentações públicas e a morte. O auto do boi narra a morte e ressurreição do boi, tendo como personagens o Pai Francisco, Mãe Catirina, boi, amo do boi, índias, vaqueiros, caboclos e cazumbas. A história começa em uma fazenda com um casal de escravizados, Catirina e Pai Francisco. Catirina grávida tem o desejo de comer a língua do boi favorito do patrão. E para atender ao desejo da esposa, Pai Francisco mata o boi, o que gera comoção na fazenda. O patrão enfurecido vai atrás do casal, que busca ajuda com curandeiros e através de rituais consegue ressuscitar o boi. São mais de 100 grupos que se dividem em cinco principais sotaques: matraca (tem o ritmo rápido e uso dos intrumentos matracas e pandeirões), zabumba ( tem o ritmo mais lento e pesado, marcado pelos intrumentos zabumba, tambor-onça e maracás), orquestra (mistura percussão e instrumentos de sopro e corda), baixada (tem o ritmo cadenciado e uso de pandeirões menores) e costa de mão (os pandeirões tocados com as costas das mãos).

No estado temos diversas manifestações além do Bumba-meu-boi, como o Tambor de Crioula, o Cacuriá, as Quadrilhas Juninas, a Dança Portuguesa, a Dança do Coco, a Dança do Lelê e a Dança do Boiadeiro.

O Tambor de crioula é uma dança circular feminina com canto e percussão de tambores. Em devoção a São Benedito, as coreiras dançam ao som das toadas ritmada pelos tocadores de tambor. Patrimônio Cultural do Brasil, sua origem se da no século 19, sendo uma herança viva trazida pelos ancestrais africanos. Em 2018 foi inaugurada a Casa do Tambor de Crioula, uma parada obrigatória para quem quer se conectar com a cultura maranhense. Tambor de Crioula é símbolo de resistência, fé e ancestralidade afro-brasileira. E não está restrito somente ao período junino. Em São Luís tem Tambor de Crioula o ano todo!

O Cacuriá é uma das danças mais alegres e marcantes do São João maranhense. Executado em duplas que formam uma roda, o Cacuriá nasceu da tradição das Caixeiras do Divino Espírito Santo e tem inspiração no carimbó. Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado, se destaca pelo contato corporal, troca de olhares e risos soltos. A música é guiada por instrumentos de percussão, como as caixas, criando um ritmo contagiante e irreverente. Foi na década de 70 que o mestre popular Seu Lauro estruturou a dança como manifestação cultural. E foi a mestra Dona Teté, sua aprendiz, quem eternizou o Cacuriá, criando seu próprio grupo na década de 80 e levando a dança para os palcos do Brasil.

A Quadrilha Junina é a maior expressão do São João nordestino. E no Maranhão ela tem força especial no interior do estado, especialmente na região sul, onde movimenta comunidades inteiras durante o período junino. A quadrilha é sinônimo de identidade cultural e motivo de orgulho local. Os concursos envolvem meses de preparação, cenografia, figurinos, coreografias criativas e enredos temáticos que vão muito além do casamento na roça. Muitos desses grupos maranhenses já ganharam destaque em competições interestaduais, representando o estado com maestria em palcos do Nordeste inteiro.

A Dança Portuguesa celebra o legado lusitano presente na cultura maranhense. Com trajes inspirados nos figurinos típicos de Portugal, as coreografias são marcadas por giros sincronizados, passos firmes e palmas. Ao som de músicas tradicionais portuguesas, como o fado e a vira, a Dança Portuguesa o mesmo tempo em que homenageia suas raízes também reafirma o orgulho da miscigenação cultural que forma a identidade do Maranhão.

A Dança do Coco é uma manifestação de forte influência afro-indígena, marcada pelo ritmo cadenciado. Executada tradicionalmente em roda, a dança tem passos firmes e repetitivos acompanhados de palmas e cantos.

A Dança do Boiadeiro homenageia a vida dos vaqueiros e trabalhadores do campo, celebrando o sertão e suas tradições. Tem uma estética marcada pela identidade rural e o som é conduzido por instrumentos típicos do forró.

A Dança do Lelê ou péla porco é caracterizada por um ritmo intenso e canto forte, sendo feita em roda ou em filas. Tem influência da dança ibérica, principalmente no uso de instrumentos como violões e flautas.

O São João do Maranhão envolve religiosidade, arte e resistência. É a celebração de um povo que preserva suas raízes com orgulho e que recebe de braços abertos visitantes do mundo inteiro para que conheçam as manifestações culturais mais completas do país. Para ter acesso as programações juninas é preciso ficar atento as páginas oficiais das Prefeituras e do Governo do Estado. Viva o São João do Maranhão!